Ilustração: M. RamiresUm dos questionamentos mais frequentes que escuto sobre internet é: "Por que as mídias tradicionais não se utilizam da internet?" E a resposta que sempre dou é: "Também gostaria de saber".
Pois bem. Parece-me que em 2009 começo a ver uma luz no fim do túnel. A toda poderosa Rede Globo e outros gigantes da comunicação estão descobrindo (ou tentando descobrir) para quê serve a internet.
Pode ser que eu ignore o fato, mas até agora não consigo entender o porquê da demora das TVs, rádios, jornais, revistas etc., em entrarem de cabeça no mundo on-line. Assim como não entendi a demora dos gigantes do varejo Casas Bahia e Wal-Mart de posicionarem-se na web. O caso do Wal-Mart é ainda mais grave, já que a multinacional tinha presença on-line em todos os outros países onde possui sede, apenas no glorioso Brasil não.
Já ouvi diversas desculpas como: "Não podemos abrir nosso conteúdo on-line porque senão nossos leitores não mais assinarão a revista/jornal", ou então: "Nossa plataforma não suporta a inserção de conteúdo pra web", e por aí vai. Como se isso impedisse o usuário de ver o último capítulo da novela no YouTube, na hora que ele quiser, da maneira que quiser. E com um detalhe: sem precisar ver publicidade. Outro exemplo é o leitor esperar O Estadão do dia seguinte para ler as matérias que estão todas disponíveis em diversos sites de notícia e RSS. Também tem aquele cara que não pode ver o jogo do clube de coração, pois a TV aberta está exibindo o jogo do time rival, a outra transmite apenas o que a detentora dos direitos permite ou então você precisa ter um serviço de TV por assinatura. Aí basta ter uma conexão banda larga - se é que podemos chamar a internet no Brasil de banda larga -, correr no Mega Cubo e pronto. Você assiste na internet a transmissão do bendito jogo.
Já que todos sabemos que é assim, por que não utilizarmos disso a nosso favor?
Vejo um enorme mercado publicitário a ser explorado por esses meios e novas plataformas. Quem mostrou isso com maestria foi o portal Terra, durante os jogos olímpicos de Pequim, com uma audiência com picos de 1,2 milhão de usuários assistindo aos jogos. Essa foi a primeira transmissão olímpica ao vivo no mundo on-line, fato que deu ao portal recorde de audiência. Foram 15 milhões de vídeos assistidos, sendo que 30% do conteúdo foi transmitido ao vivo, incluindo a abertura dos jogos. Todas as cotas de patrocínio do portal foram vendidas (fonte: http://www.adnews.com.br/internet.php?id=75343).
Mas o mais importante não é apenas oferecer conteúdo, e, sim, oferecer a possibilidade aos usuários para que criem, interajam e divulguem esse conteúdo.
A TV Globo, a partir desse ano, passa a oferece uma gama maior de conteúdo on-line, incluindo eventos ao vivo, a partir da transmissão para novas plataformas de mídia, que se tornou possível com o advento da televisão digital. Um exemplo foi a transmissão da segunda etapa da Stock Car 2009, que aconteceu no dia 12 de abril e foi transmitida ao vivo pelo Globoesporte.com. O Fantástico anunciou, no último dia 18/4, ao vivo, sua entrada no Twitter @showdavida. Agora a promessa é que, a partir dos próximos meses, a emissora comece a oferecer sua programação em telefones celulares, ônibus, metrôs, trens e táxis.
Aliás, o advento do Fantástico nessa ferramenta de micro-blogging causou o maior rebuliço entre os twitteiros, blogueiros e outros "eiros" de plantão. Muitos consideraram um fracasso o perfil ter apenas cerca de 4.000 seguidores no dia seguinte, devido à audiência do programa na TV. Eu já prefiro ver o lado positivo disso: "Os veículos de massa estão abrindo os olhos para o comportamento de seus clientes". Se o perfil terá sucesso ou fracassará, só o tempo vai nos mostrar. Na verdade, definir o fracasso e o sucesso de uma ferramenta, também é algo bem complexo que vale até um outro artigo. Vejo que o Fantástico deve ter a preocupação de ouvir os usuários e deixar que eles participem da criação do conteúdo do programa. Caso contrário...
Os apresentadores do programa CQC (Custe o Que Custar) da Band são exímios usuários da social media. Com destaque para Marcelo Tas @marcelotas, o grande "seguido" do Twitter brasileiro, com cerca de 37 mil "followers_profile". Todas as segundas-feiras, dia de exibição do programa, eles divulgam o roteiro on-line, permitindo que os telespectadores ajudem a fazer o programa, interagindo o tempo todo com sugestões, pitacos e tudo o mais. Com isso, é inegável o sucesso do programa entre jovens e usuários da internet.
Penso que não adianta adaptar o conteúdo da TV, jornal, revista e rádio para as novas plataformas. É preciso criar novos formatos.
Não tenho nenhuma dúvida que a internet, e principalmente a publicidade, pode se beneficiar e muito com a entrada dessas gigantes das telecomunicações. As oportunidades são infinitas. Quem ganha com isso? Todos.
Espero que 2009 seja um divisor de águas na mídia brasileira. Mídias tradicionais: sejam todas muito bem-vindas.
Se tiver dúvidas, sugestões ou críticas, fique à vontade para postar ou enviar para meu e-mail: Kadu Lima - kadu@perdidosnanight.com.br
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